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Rebecca Glaser desmitifica o tratamento com Testosterona em Mulheres

O segundo dia do Congresso Brasileiro de Hormonologia iniciou com a empolgante palestra ministrada pela Dra. Rebecca Glaser, aposentada da cirurgia de câncer de mama, pesquisadora na Wright State University, está atualmente envolvida em pesquisas sobre terapia com testosterona por implante de pellets. Ela avaliou e tratou mais de 1.500 casos de câncer de mama e atualmente se dedica a pacientes do sexo masculino e feminino com terapia de testosterona em via subcutânea. Além de especial interesse em farmacocinética de liberação sustentada, implantes subcutâneos e a combinação de testosterona com um inibidor de aromatase na saúde de homens e mulheres, bem como prevenção e terapia do câncer de mama.

Dra. Rebecca Glaser apresentou os principais mitos que envolvem o uso de terapia hormonal com testosterona em mulheres, enfatizando os atrasos causados pela disseminação dessas más interpretações. Por outro lado, mostrou os benefícios da reposição com Testosterona aliado a um inibidor de aromatase, sobretudo na aplicação de pellets (implantes subcutâneos) em mulheres com câncer de mama. 

Iniciando o discurso, ela explica os motivos pelos quais optou por trabalhar com pellets na reposição hormonal, uma vez que os efeitos colaterais são quase inexistentes, implantados sob a pele e absorvidos pelo corpo com o decorrer do tempo. Quando comparado a tratamentos convencionais por via oral ou géis, são opções mais seguras e com menos efeitos negativos no organismo. Rapidamente ela relata em como implantou seu primeiro pellet de reposição hormonal em seu próprio pai, que sofria de Doença de Parkinson, e se surpreendeu com a recuperação da sua qualidade de vida, e isso lhe mostrou o potencial deste método.

Ao introduzir sua pauta, o tratamento com testosterona em mulheres, ela afirma “Vocês vão encontrar resistência de outros médicos e pacientes”. Existem muitas crenças relacionadas ao tema, que hoje, já foram desmistificadas com estudos e dados que comprovam os benefícios da reposição de andrógenos em mulheres. Contudo, as antigas ideias continuam presentes e precisam ser refutadas a partir dos novos dados para contribuir para o progresso de tratamentos e oferecer opções seguras aos pacientes.

Com base nisso, a doutora nos apresenta 10 mitos ou interpretações equivocadas acerca da reposição hormonal, destacando como essas ideias se originaram a partir de informações provenientes de associações, nas quais a testosterona foi erroneamente identificada como a causadora de efeitos adversos, quando, os níveis elevados de estradiol seriam os verdadeiros responsáveis.

Um dos mitos mais difundidos é o de que a testosterona é um hormônio masculino e, em mulheres, estaria apenas relacionada ao impulso sexual e à libido. Investigações confiáveis nos mostram que ela foi encontrada em níveis maiores do que o estradiol, no organismo feminino, e contribui no funcionamento do corpo de muitas formas, agindo inclusive com anti-inflamatório e protetor do coração.

Em relação ao tratamento da menopausa, pré-menopausa e TPM, a Dra. Rebecca Glaser revela a importância da reposição de testosterona, apontando seus benefícios, tais como: redução dos fogachos, regulação do humor e consequentemente a redução da irritabilidade, diminuição da dor e incontinência. “Se suas pacientes não estão apresentando resultados, aumente a dose” diz ela, mas atenta para a necessidade de combinar a Testosterona a um inibidor de aromatase, para evitar efeitos indesejados com aumento do estradiol. 

Em mulheres com câncer de mama, estudos e resultados clínicos ao longo de mais de uma década de acompanhamento confirmam que a combinação de tratamento com testosterona, uma dieta apropriada e inibidores de aromatase é capaz de impedir a progressão do tumor, reduzi-lo e, em alguns casos, resultar na cura. Em situações mais graves de metástase, os tratamentos aplicados pela Dra. Glaser, associados à quimioterapia, demonstraram eficácia no controle do tumor e contribuíram para o aumento da qualidade de vida das pacientes.

Concluindo sua fala, ela nos mostra como uso de pellets, se mostrou eficiente, seguro e sem efeitos adversos em seu estudo randomizado controlado com pacientes sobreviventes de câncer de mama, em duplo teste cego. A terapia hormonal não interferiu na quimioterapia, mais do isso, surpreendentemente, melhorou o controle glicêmico e potencial cardíaco. A dose adequada de Testosterona reflete em uma maior qualidade de vida para os portadores de câncer de mama. 

O 1º Congresso Brasileiro de Hormonologia foi uma iniciativa da Associação Brasileira de Hormonologia (ASBRAH) que reuniu em Curitiba mais de mil médicos de todo o Brasil.

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